terça-feira, 4 de agosto de 2009

Brasil, o país do… panem et circenses

“Moro num país tropical, abençoado por Deus
E bonito por natureza, mas que beleza
O ano inteiro (o ano inteiro)
Tem pão e circo (pão e circo) 

Tenho o Bolsa Família
Sou Flamengo
Tenho uma diversão
Chamada futebol

Roma Antiga. A escravidão nos latifúndios conquistados gera desemprego na zona rural. Um intenso êxodo rural afeta o Império. Cidades superlotadas, população com fome, descontente. É nesse cenário que surge a política do panem et circenses, ou pão e circo, como preferirem.

O pão e circo consistia de uma política adotada pelo Imperador para evitar revoltas. Espetáculos de sangue eram promovidos nos estádios para divertir a população. Nesses estádios, pão era distribuído à população. Apesar do desemprego, apesar de toda a pobreza, apesar de todas as péssimas condições de vida, a população ria, de barriga cheia.

Um povo feliz e bem alimentado é fácil de ser governado.

Brasil, 2009. Segundo o IBGE, a taxa de desemprego é de 8,1%. Sistema de saúde precário, falta de saneamento básico, favelas, desmatamento, falta de infra-estrutura, níveis altíssimos de violência, corrupção no governo.

Mas a maioria da população só quer saber de duas coisas: Futebol e/ou novelas. Mesmo com todos esses problemas de nível nacional e a crise mundial, o brasileiro só quer saber que time vai ganhar o Campeonato.

Alguma semelhança com Roma Antiga não é mera coincidência. Vivemos sob o panem et circenses.

Esqueçam gladiadores e suas armas, esqueçam corridas de bigas, esqueçam animais exóticos. Hoje em dia a coisa mudou de forma. Os circos manifestam-se em outras formas: Carnaval, futebol, novelas…

Durante o Carnaval, o brasileiro só quer saber de belas morenas sambando seminuas na avenida e grandiosos carros alegóricos. Não importa se está desempregado, a “peladinha” do final de semana é sagrada para os homens. Com ou sem comida, as donas de casa não perdem um capítulo das novelas. Não importa se o Brasil não investe o suficiente em educação, o brasileiro só quer saber da Copa do Mundo de 2014, que será sediada aqui.

[Sugestão de post: O teatro virou a ante-sala da pizza – Parte 1: Sociedade brasileira]

O povo tem divertimento. Na “vida perfeitinha” das novelas, onde normalmente tudo dá certo pros bonzinhos no final, o brasileiro refugia-se da triste realidade em que vive, mesmo sem saber disso. Na ridicularidade de programas como Casseta e Planeta e Zorra Total encontra divertimento de baixo nível, encontra motivo de riso. Não está nem aí se o presidente da nação chamou de “imbecis” e “ignorantes” os que desaprovam o Bolsa Família.

Chegamos no pão da questão: Os programas de assistencialismo. Em programas como o Bolsa Família o brasileiro encontra o pão que era distribuído nos estádios. É Bolsa Família, Bolsa Escola, Bolsa Alimentação. Ao invés de investir pesado na criação de empregos, na educação, na saúde, no saneamento, o Brasil prefere dar o pão ao cidadão pobre. Alguns, após tempos de Bolsa Família, saem e caminham com as próprias pernas. Poucos.

Na verdade, o Bolsa Família virou manobra política. Alavancar a popularidade do nosso presidente virou um dos objetivos.

Faço minhas as palavras de Anthony Hall, professor da London School of Economics and Political Science em entrevista à Folha de São Paulo:

“Essa certa ênfase em transferências de dinheiro, no curto prazo, é um “remendo”. Não quer dizer que não funcione, mas devemos ser cautelosos. O que pode haver também é uma mudança na mentalidade dos políticos e planejadores, tentação de “curto-prazismo”, de pensar que a transferência de dinheiro seja um modo rápido e popular de entregar os bens e pegar os votos, em vez de investir em saúde e educação pelos próximos dez anos. Não estou dizendo que está acontecendo, mas é um perigo real.”

Roma. Crise política. Crise econômica. Invasão por bárbaros. Crise no exército.

Brasil. É esperar pra ver.


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domingo, 2 de agosto de 2009

Desabafo contra a pena de morte

“O corredor da morte é a arena onde as políticas de Poder, Retribuição, e Violência, são aplicadas a um homem usando (materiais como) concreto e aço. Até que este homem se transforma em aço, e seu coração passa a ser tão duro como o concreto.”
- Prisioneiro no corredor da morte em carta a Paulo Coelho

A pena capital trata-se da execução de um criminoso pelo Estado. Tal vil e atroz forma de condenação ainda vigora em inúmeros países do globo, como os Estados Unidos.

A pena de morte fere o Artigo III da Declaração Universal dos Direitos Humanos: O direito à vida. Negando todos os direitos humanos, o Estado fria e cruelmente assassina um prisioneiro em nome da “justiça”.

Além da dor física causada pela execução, é impossível quantificar o sofrimento causado pelo conhecimento prévio de sua morte. Imaginem a dor de um prisioneiro, em sua cela, esperando a hora de sua morte. Esperando a decisão judicial (caso ele esteja apelando, ou seja, utilizando um recurso contra a sentença do juiz) que decidirá se ele viverá ou morrerá.

Nem sempre a pena de morte é bem-sucedida. Enforcados perdendo a cabeça ou pendurados por minutos antes de morrerem e eletrocutados com cabeças ardendo em chamas não são situações raras. A injeção letal, criada para diminuir a dor dos executados, também falha. Angel Nieves Diaz, executado na Flórida, lutou para respirar durante 34 minutos. As agulhas estavam profundas demais, e os produtos químicos não chegaram diretamente ao sangue.

E muitos aplaudem essa atrocidade cometida pelo Estado. Punem a morte com… a morte. Que tipo de justiça é essa? O Estado condena uma pessoa por matar, mas ele mesmo mata. Ninguém tem direito a tirar a vida de ninguém, e o Estado não está sobre essa lei.

Alguns defensores dizem que a pena de morte é menos custosa que a prisão perpétua. Não é. As custas dos processos, celas especiais, apelações, guardas, sacerdotes, maquinário e carrasco custam três vezes mais que a prisão perpétua.

Dizem também que a pena de morte faz os criminosos pensarem duas vezes antes de matar. Errado novamente. Segundo estatísticas, nos países em que a pena capital é legalizada, os indíces de criminalidade são os mais altos. Na França, após a abolição da guilhotina, esse índice diminuiu. Além disso, é risível o pensamento de que um assassino pensaria duas vezes em matar, já que os crimes hediondos, punidos com pena de morte, são cometidos em momentos de loucura e descontrole. O que se espera de um criminoso que vive em um país onde a morte é legalizada?

Por último, mas não menos importante, existe a possibilidade de falha. Somos humanos, e estamos sujeitos a errar. Por causa de um simples erro judicial, em um país em que a pena de morte é legalizada, um inocente é executado. É arrogância o pensamento de que a justiça sempre acerta. Não, não acerta. Mas mesmo assim a pena de morte continua legalizada em alguns países.

Mas o que mais me assusta é o conforto trazido pela execução de condenados à família das vítimas. Uma mãe, que teve a sua filha assassinada, comemora a execução do assassino. Mas não pensa que outra mãe acaba de ter seu filho assassinado.

Tanto criticam o Nazismo, mas agem como nazistas. Sentem-se no direito de tirar a vida de uma pessoa que, por julgamento deles, perdeu seu direito a vida. Quem somos nós para decidir quem morre e quem vive?

A verdade é que a pena de morte é a expressão contemporânea da Lei de Talião: Olho por olho, dente por dente. O Estado, que supostamente deveria ter evoluído e trocado seus princípios, a cada execução reforça um princípio adotado na Babilônia.

“Olho por olho e o mundo acabará cego”
- Mahatma Gandhi

“Mesmo sendo uma pessoa cujo marido e sogra foram assassinados, sou firme e decididamente contra a pena de morte... Um mal não se repara com outro mal, cometido em represália. A justiça em nada progride tirando a vida de um ser humano. O assassinato legalizado não contribui para o reforço dos valores morais."
- Coretta Scott King, viúva de Martin Luther King.

SITES LIDOS PARA ELABORAÇÃO DO POST (NÃO DEIXEM DE LER):

Cultura Brasil – A Questão da Pena de Morte
Pena de Morte


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sábado, 1 de agosto de 2009

Desilusão

“Feliz do homem que não espera nada, pois nunca terá desilusões.”

Alexander Pope



Sonhos. Um ou muitos, todos têm sonhos. Muitas vezes é a razão para continuar. Triste é uma pessoa que não tem nenhum sonho. Não tem uma meta, um lugar aonde chegar. Uma razão para continuar. Está aqui por estar. Inerte. Não deseja.

Você reconhece um sonho quando ao falar de uma coisa, seus olhos brilham, seu coração bate mais forte, arrepios percorrem seu corpo e você simplismente não consegue parar de pensar naquilo. Isso é um sonho.

Devemos sempre correr atrás de nossos sonhos. A alegria obtida da realização de um sonho é a mais completa que eu já senti. Te toma por dentro. É uma das melhores sensações do mundo. Inexplicável. Melhor que a chegada é a corrida. A luta por um sonho é recompensante. No final tudo vale a pena. Você vê como a estrada trilhada valeu a pena.

Quer seja alcançar o estrelato, quer seja tirar um 10 em uma prova de Matemática, sonhos são sonhos. Ninguém deve questioná-los. Você não manda em seus sonhos. Você simplismente os possui.

Mas nem sempre eles se realizam. Alguns sonhos continuam apenas… sonhos. E por mais que você queira que eles se tornem realidade, lá no fundo você sabe que isso nunca acontecerá. Há um abismo entre realidade e sonho.

As vezes sonhos pequenos não se realizam. As vezes, é o grande sonho da sua vida que não se realiza. O desejo é tão forte, a espera tão grande, os planos tantos, que a decepção da não-realização machuca muito. E as vezes, te impedem de realizar um sonho. Você sonhava, fantasiava com aquilo. Muitos planos feitos. Então acabam com seu sonho.

Assim como a espada ia de encontro ao pescoço dos condenados. Rápida. Fria. Cruel. É tanta dor que não cabe dentro de você. E você não consegue expressar essa dor. As lágrimas vêm. E você chora como se não houvesse amanhã. Era o grande sonho da sua vida. Mas por causa de outro alguém você não o realizou.

Você se sente perdido. E agora? Muitas outras oportunidades podem surgir para você realizar esse sonho, mas a espera foi tanta que o futuro parece distante. Inalcançável.

Você tem outros sonhos, mas nada preenche o vazio de você ter perdido a oportunidade de realizar o grande sonho de sua vida, pelo menos por agora.

Você então experiencia a desilusão.


“Somente três coisas jamais voltam atrás: a flecha atirada, a palavra proferida e a oportunidade perdida


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