sexta-feira, 31 de julho de 2009

Baile de Máscaras

Retire a sua máscara e respire o ar puro da liberdade enquanto lê esse texto

“Eis o procedimento adotado pelos treinadores de circo, para que os elefantes jamais se rebelem - e eu desconfio que isso também se passa com muita gente.

Ainda criança, o filhote é amarrado, com uma corda muito grossa, a uma estaca firmemente cravada no chão. Ele tenta soltar-se várias vezes, mas não tem forças suficientes para tal.

Depois de um ano, a estaca e a corda ainda são suficientes para manter o pequeno elefante preso; ele continua tentando soltar-se, sem conseguir. A esta altura, o animal passa a entender que a corda sempre será mais forte que ele, e desiste de suas iniciativas.

Quando chega a idade adulta, o elefante ainda se lembra que, por muito tempo, gastou energia à toa, tentando sair do seu cativeiro. A esta altura, o treinador pode amarrá-lo com um pequeno fio, num cabo de vassoura, que ele não tentará mais a liberdade.”

Paulo Coelho, em sua coluna no G1

No final das contas, a maioria da massa é como um elefante de circo.

Amarrados pela sociedade. Vivem sobre a lei férrea de serem aceitos por ela. Desde crianças são treinados para serem bem aceitos.

No colégio, lutam para se encaixarem. Oprimem-se e criam uma máscara. Fingem. Enganam aos outros e a si mesmos. 

E essa máscara perdura. Se enganam tão verdadeiramente que eles próprios não sabem quem são. A máscara confunde-se com o seu eu interior.

Com o tempo, adquirem consciência de que aquilo que as pessoas vêem é apenas uma mentira. Mas têm medo. Medo de mudar. Medo de não aceitarem quem realmente são. E não mudam. Continuam a se reprimir. A viver uma mentira.

Não ousam desafiar a sociedade. Ela paira sobre eles como um ditador. Cruel. Fria. Pronta para os excluir ao menor sinal de subjetividade.

E se misturam à massa. Viram apenas mais um no meio da multidão. Máquinas. Animais treinados. Sem o mínimo esboço de opinião. Massa de manobra.

Felizes são os que tem coragem para se rebelar. Livrar-se de todas as amarras e serem eles mesmos. São poucos, mas existem.

E o que fazem com eles? Massacram. Excluem. Oprimem. Eles vivem diariamente uma luta contra uma sociedade que a cada dia tenta uniformizá-los, aliená-los.

Passeiam pelo baile de máscaras de cara limpa. Sem nada a temer. Sem esse temor onipresente na vida dos mascarados. O medo de serem descobertos. Medo de que sofram na pele o que fazem com os outros. Mesmo que discordem do que fazem, continuam fazendo. São obrigados, para continuarem aceitos, a fazerem isso.

A maioria da população perdeu o senso crítico. A individualidade. A reflexão. A capacidade de ver além do que os olhos enxergam. E o que isso causa?

Leia os jornais e encontrá a resposta estampada nas manchetes.


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quarta-feira, 29 de julho de 2009

Esponjas e tristeza, tudo a ver.

Uma reflexão bem-humorada sobre as Esponjas e a Tristeza.

Tristeza chega arrebatando. Abala, destrói, fere. Queima como fogo em suas entranhas.

Não digo triste porque não viu o episódio de hoje de Caminho das Índias. E sim a dor de perder alguém que se ama. Dor da renúncia de um sonho. Da decepção.

Quando chega, parece que não tem fim. Nos toma de tal forma que perguntamos a Deus porque não nascemos esponjas. Esponjas não tem sistema nervoso. Não sentem dor. Não sofrem. Não choram. Não ficam tristes.
[Nota: Esponjas = poríferos, não aquela que sua mãe tira o resto de macarrão do prato]

Muitos gostariam de erradicar de vez a tristeza de suas vidas. Viverem felizes, a la Cinderela pós-príncipe. Não seria muito mais fácil a vida sem tristeza?

Imaginem uma vida só de alegrias. De sorrisos. De felicidade eterna e ilimitada.

Imaginem viver em um mundo que não nos desaponte. Que não nos faça sofrer. Um mundo sem “pedras no caminho”. Um mundo cor-de-rosa. Onde tudo no final dá certo, e todos vivem felizes para sempre.

Isso, meu amigo, só existe nos contos de fada. E se querem minha opinião, nem nos contos de fada. Duvido que a Branca de Neve aguentou aquele príncipe e aqueles anões pé-no-saco por muito tempo. A vida é muito diferente. Te marca a ferro.

A vida é cheia de decepções, sonhos renunciados, tristezas, lágrimas, choro. Ainda estou pra conhecer alguém que nunca sofreu.

Não gosto de imaginar uma vida sem tristezas. Pelo menos quando eu não estou triste. Quando a gente está sofrendo, o menor dos problemas é como o Apocalipse. É como o Sarney voltando à Presidência. Mas a tristeza passa. Dói, mas passa. E no final aprendemos com ela. Na verdade deveríamos.

Uma vida sem “pedras no caminho” ou decepções seria um saco. Não aprenderíamos nada. Viveríamos numa mesmice sem fim.

Viva a tristeza! Viva a dor! Sem elas seríamos um bando de tolos rindo a toa (Alguma semelhança com os anões da Branca de Neve não é mera coincidência. Com exceção daquele Zangado. Ele sim é feliz.).

Tenho pena de quem gostaria de ser feito uma esponja. Elas não sentem tristeza, fato. Mas não amam. Não sentem felicidade. Sequer sabe que existem. Que merda de vida que as esponjas levam ein?


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terça-feira, 28 de julho de 2009

O teatro virou a ante-sala da pizza – Parte 2: Fanatismo religioso

Até onde é saudável uma pessoa ir por uma religião? O fanatismo religioso abordado com base em uma personagem.

Segundo o Houaiss:

Religião: Culto prestado a uma divindade; crença na existência de um ente supremo como causa, fim ou lei universal. Conjunto de dogmas e práticas próprias de uma confissão religiosa. A manifestação desse tipo de crença por meio de doutrinas e  rituais próprios. Crença devoção piedade. Reverência às coisas sagradas. Qualquer filiação a um sistema específico de pensamento ou crença que envolve uma posição filosófica, ética, metafísica, etc.

Na peça Sete Minutos, base dessa série de três posts, há uma personagem que auto-entitula-se de Evangélica [OBS: Não estou de forma alguma criticando os evangélicos. Estou citando a peça]. A dita senhora foi impedida de entrar na peça por chegar atrasada e armou o maior fuzuê, que incluiu uma porta de vidro quebrada.

Dona de falas marcantes como “Todos nós sabemos que o teatro e a televisão são obras de Satanás”,”Meu marido não gosta dessas coisas (referindo-se a Teatro), diz que é um antro de homossexuais e drogados” e “A rua cheia de mulheres da vida! Ali, misturadas com a gente”, a personagem aparentemente superficial me levou à uma reflexão: Até onde é saudável uma pessoa ir por uma religião?

Os conflitos religiosos no Oriente Médio não são novidade para ninguém. Muito menos o número de feridos. O número de mortos. Mas agora pare para pensar: tudo isso por… religião.

A religião deveria ser o meio de um indivíduo se elevar ao seu “Deus”, um modo de suprir suas necessidades espirituais na crença de um poder maior. Deveria dar conforto, felicidade, paz. Deveria ser uma “crença na existência de um ente supremo como causa, fim ou lei universal”. Não motivo de guerra. Não motivo para derramamento de sangue.

E não me refiro apenas a guerras e disputas. Me refiro também até onde é saudável uma religião regrar a vida de um indivíduo. Com total respeito aos que acham isso normal e aceitável, devo dizer que não deixaria nenhuma instituição regular a minha vida.

Vamos fazer uma distinção básica: Uma coisa é a sua religião lhe mostrar um caminho, uma ética, uma conduta. Outra coisa é “Faça isso ou arda no mármore do Inferno”. A religião é um meio do indivíduo chegar à Deus, e não a mão que bate o martelo de uma decisão.

Quem é ela para ditar a nossa vida? Deus deu-nos o livre arbítrio para que possamos fazer as nossas escolhas baseadas em nosso aprendizado, e não num punhado de regras, obedecidas por medo. omo diria Antônio Fagundes: POMBAS! Não estamos mais na Idade Média.

Apóio todas as religiões que fazem seu praticante pensar, refletir, aprender. Não das “religiões ditadoras”. E muitos obedecem essas religiões! Quem dera se fôssemos todos como crianças, e tivéssemos a insistente mania de perguntar “Por que?”. O mundo seria um lugar tão melhor se fizéssemos questionamentos!

Questionássemos a nossa realidade. A nossa sociedade. A nossa vida. Questionássemos a nós mesmos! Nessa vida temos poucas certezas e muitas dúvidas. Alguns podem virar para você e mostrar uma muralha de certezas. Ó, pobres almas. Com um simples sopro, na forma de perguntas, você derruba tal muralha. Somos arrogantes a ponto de acharmos que sabemos de tudo. Quando na verdade não sabemos de nada.

"Não é mais aos homens que me dirijo. É à você, Deus de todos os seres, de todos os mundos e de todos os tempos: Que os erros agarrados à nossa natureza não sejam motivo de nossas calamidades.
Você não nos deu coração para nos odiarmos nem mãos para nos enforcarmos. Faça com que nos ajudemos mutuamente a suportar o fardo de uma vida penosa e passageira.
Que as pequenas diferenças entre as vestimentas que cobrem nossos corpos, entre nossos costumes ridículos, entre nossas leis imperfeitas e nossas opiniões insensatas não sejam sinais de ódio e perseguição.
Que aqueles que acedem velas em pleno dia para te celebrar, suportem os que se contentam com a luz do sol.
Que os que cobrem suas roupas com um manto branco para dizer que é preciso te amar, não detestem os que dizem a mesma coisa sob um manto negro.
Que aqueles que dominam uma pequena parte desse mundo, e que possuem algum dinheiro, desfrutem sem orgulho do que chamam poder e riqueza e que os outros não os vejam com inveja, mesmo porque você sabe que não há nessas vaidades nem o que invejar nem do que se orgulhar.
Que eles tenham horror à tirania exercida sobre as almas, como também execrem os que exploram a força do trabalho. Se os flagelos da guerra são inevitáveis, não nos violentemos em nome da paz.
Que possam todos os homens se lembrar que eles são irmãos! "

Prece pela tolerância – Voltaire

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segunda-feira, 27 de julho de 2009

Talentos em Cativeiro: O simulado – Gabriel Faza

Olá caros visitantes do meu zoológico particular! Sabe aquele espaço para autores e poetas que não querem criar um blog? Pois é, agora chama-se Talentos em Cativeiro. Apresentamos hoje Gabriel Faza, com seu texto “O simulado”

O simulado

Sinceramente, alguém já parou para pensar na importância de um simulado? Falando sério, se simulado fosse algo importante não chamaria “simulado”. Porque se é simulado está se fazendo uma simulação e se é uma simulação não é nada sério. Então sugiro que daqui pra frente a gente faça assim: fazemos uma prova simulada, recebemos uma nota simulada, simulamos ter aprendido e eles simulam que nos ensinaram.

Outro dia ouvi um diretor de uma escola falar em uma entrevista algo que pareceu realmente sério e profundo. “Preparamos nossos alunos para a vida.”. A principio fiquei revoltado, porém pensando bem vi que ele tinha razão. Simular é sim nos treinar para vida. Até porque vivemos em um país simulado. Olha só, simulamos ser democratas, mas desrespeitamos uma pessoa por sua religião. Simulamos um regime igualitário, porém implantamos cotas para escolas públicas e particulares. Simulamos ser humanos e educados, porém, poucos são aqueles que cedem seu lugar no ônibus para um idoso. Simulamos ser amigos, mas viramos as costas quando o próximo precisa. Simulamos ter amor no coração, mas somos indiferentes quanto àquele que passa fome. Simulamos ser fortes e poderosos, porém vemos escândalos no jornal e não fazemos literalmente nada. Simulamos ser livres, mas saímos de casa sem saber se iremos voltar e sem poder visitar certos lugares graças ao perigo e a violência, pois nós pagamos um imposto, e eles simulam que aplicam para o bem do povo. Simulamos ser uma nação independente, mas somos subordinados a ordens americanas. Na verdade o Brasil é assim, de quatro em quatro anos simulam novas propostas, supõem um novo país, e nós simulamos acreditar, elegemos, depois simulam que não prometeram nada, esquecem que o povo existe. Passam-se quatro anos e voltam a simular tudo de novo. E o pior é que nós voltamos a acreditar.

Pensando bem, não vivemos em um país simulado, e sim, dissimulado.

- Por Gabriel Faza



Quer seu texto publicado aqui? O envie para para caio.reis_@hotmail.com! Abração moçada!

Dica de blog: Resenhas Íntimas


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Talentos em Cativeiro: Lágrimas e Contos de Fadas – Izabella Diniz

Gente, pretendo estar sempre abrindo um espaço para escritores e poetas que, por quaisquer motivos, não querem criar um blog. Se quer ver seu texto aqui, envie um email para caio.reis_@hotmail.com e ele será publicado.
Confira a poesia Lágrimas e Contos de Fadas, por Izabella Diniz



Lágrimas e Contos de Fadas

Incompleta
É o que eu sempre serei
Uma metade sem vida e sem serventia
Cadê a outra metade da minha vida?
Deve ter se desiludido tanto quanto eu
Como eu queria ser um pingüim...
Pingüins quando encontram sua cara metade,
Vivem suas vidas inteiras ao lado dele.
Mas nada é um conto de fadas
Finais felizes acontecem
Mas nunca é o final.
O final é sempre trágico

Triste
A magia se desfez
Sinto como se tivesse caído da nuvem mais alta
Tragédias gregas em certa escola
Corações partidos

Lágrimas
Nunca termina
Sempre terão quedas
Sempre terá a dor
Nunca passa
Mas sempre em frente
Eu seguirei.

- Por Izabella Diniz



Dica de blog: Péssimas Virtudes

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O teatro virou a ante-sala da pizza – Parte 1: Sociedade brasileira

"Vivemos em um país desacostumado ao ato de pensar." A primeira parte da série que faz uma crítica à sociedade brasileira e a seu comportamento em relação ao teatro.


Blá, blá, blá, shap, shrap, cof, cof, trim, trim ?..Quem nunca ficou irritado com todos os pequenos barulhos que fazem parte de um espetáculo? Celular, papel de bala, conversa, tosse: a lista é interminável. E, se você se incomoda, imagine quem está no palco! Sete Minutos é uma comédia sobre uma noite em que um celular interrompe Macbeth. Possuído, o ator (Antonio Fagundes) resolve fazer um acerto de contas com a platéia. O que não vai ser fácil. Elenco e espectadores partem para um insólito embate em que o que está em questão é o amor ao teatro e as diferentes formas de vivê-lo.”

Você ja ouviu falar da peça Sete Minutos, escrita e estrelada por Antônio Fagundes? Provavelmente não. A comédia, como ja foi dito acima, trata de um ator que se enraivece com uma platéia excepcionalmente barulhenta e mal-educada e entra em uma reflexão sobre o teatro.

Por que estou falando da peça? Bem, tenho prazer de estar participando de uma montagem amadora dela. Estou no papel que apelidamos de “Velho”. Trata-se de um espectador que não gosta nem um pouco da atitude do ator de parar a peça e mandar todos embora. Não vou me estender aqui, pois fazer uma resenha da peça ou de seus papéis não é de meu interesse AGORA.

A peça nos passa uma mensagem importante sobre a situação do teatro no Brasil. Na primeira parte dessa série de posts entitulada “O teatro virou a ante-sala da pizza”, tratarei sobre a elitização da platéia.

“Vivemos em um país desacostumado ao ato de pensar.”. Esta fala de Antônio Fagundes exprime muito bem a situação brasileira. Mesmo com a corrupção, a crise mundial e os outros inúmeros problemas que afligem o país, a maioria dos brasileiros só pensa em duas coisas: Futebol ou Caminho das Índias. É triste, mas é verdade.

E por que no teatro isso seria diferente? As platéias estão sempre cheias de um mesmo público: a elite. É sempre a mesma elite que vai assistir todas as peças. Você pode me dizer: “Mas o teatro é caro”. Eu lhe responderei: Não. Não é questão de dinheiro. O meu grupo de teatro coloca ingressos a 2 reais e apenas as mesmas pessoas continuam vindo assistir. Não falta dinheiro. Falta educação, hábito, cultura.

Mas o que realmente falta é interesse. A maioria da população não está nem aí para o teatro. Só querem saber quem venceu o Campeonato Brasileiro ou sobre a Maya e o Raj.

“Os estádios de futebol, os bingos, os bares, as filas de loteria esportiva continuam lotados de gente que nunca foi ao teatro. Tudo isso custa caro. Mas para a maioria da população, apenas o teatro custa caro.”. – Sete Minutos

E o que fazemos para resolver isso? Nada. Segundo o site da Copa de 2014 – Brasil, o custo estimado para construção e reforma dos estádios já chega aos R$ 10 bilhões. Dez BILHÕES de reais investidos em estádios de futebol. Como diria Antônio Fagundes: POMBAS! Quantas escolas poderiam ser construídas? Quantos hospitais? Quantas casas? Quantas pessoas poderiam ser beneficiadas com o dinheiro?

E mesmo assim a população continua sua vidinha assistindo aos jogos de futebol e às novelas. Indo aos bares e aos estádios de futebol. Aos bingos e às loterias esportivas. Como se nada estivesse acontecendo.

Os políticos roubam. A Floresta Amazônica é desmatada. A violência aumenta. Mas as pessoas só entram em sites de notícias para lerem fofocas da vida dos famosos. “MAX TERMINA COM FRANCINE”. “O ESTILO EXTRAVAGANTE DE LADY GAGA”.

É a triste realidade de nosso país.



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domingo, 26 de julho de 2009

As três Moiras

O que você faria se, em uma cápsula do tempo, houvesse uma folha coberta por datas e coordenadas de acidentes fatais? Surtaria? Pois é. Eu também. E é disso que trata o filme "Presságios", estrelado por Nicolas Cage. Leia uma reflexão sobre a fragilidade da vida e do ser humano.


Trailer do filme (Legendado):




Faça o Download do filme aqui


Imagine que alguem chega para você e diz: "Hoje é o dia. O mundo acaba hoje". O que passaria pela sua cabeça? Os seus pais? Os seus filhos? Os seus amigos?
A verdade é que vivemos num mundo incerto. Nossa própria vida é uma incerteza. Já pararam para pensar nisso? O simples ato de atravessar uma rua pode significar o fim da sua vida.

Os assusta a possibilidade de um grande meteoro chocar-se com a Terra e exterminar a vida? Os assusta a possibilidade de um carro atropelar seu(sua) namorado(a)? Os assusta a possibilidade de que uma bala perdida atinja sua mãe? Os assusta a possibilidade que seu filho seja sequestrado e brutalmente assassinado? Devo admitir que me assusta.

A vida é como um cristal. Belo e delicado. Mas fácil de ser quebrado. Ou evocando a Mitologia Grega, uma fina linha nas mãos das três Moiras (ou Parcas), podendo ser cortada a qualquer instante.

E o pensamento que ela pode acabar a qualquer instante, até mesmo agora, que me assusta. Me assusta o pensamento de que eu talvez não tenha feito tudo que deveria ser feito. Dito tudo que deveria ser dito. Amado o quanto deveria ter amado. Sorrido o quanto deveria ter sorrido. Chorado o quanto deveria ter chorado. Vivido tudo que deveria ter vivido.

As vezes, na calada da noite, esses pensamentos me assombram. O homem é tão pequeno perto da vida. Perto de tudo. Nos postamos com uma arrogância tão absoluta e inquestionável diante de tudo, que quando esses pensamentos sorrateiramente penetram nossa mente, somos tomados pelo medo. Talvez um dos medos mais absolutos que já senti em minha (curta) vida.

A verdade é que não há como se preparar para o fim. Nada impede a tesoura de Átropos de cortar o fio da vida. A única coisa que esse ínfimo ser chamado de "ser humano" pode fazer é se preparar.

Vocês devem estar se perguntando: como assim se preparar? Para responder a essa pergunta, vou contar uma história. Dizem, que antes de morrermos, tudo para. O tempo congela. E a nossa vida inteira passa como um filme diante de nossos olhos. Todos os nossos atos. Nossos erros. Nossos acertos. Nossos sorrisos. Nossas lágrimas. Nossas amizades. Nossas inimizades. Assim como um filme, tem seu início, e seu fim. Devemos nos preparar para que esse filme não nos desagrade. Não nos decepcione. Não nos frustre. Devemos viver tudo que tem para ser vivido, sem pensar no amanhã. É clichê, mas é a pura verdade.

Se nada pode deter as mãos de Átropos, por que não? Sorria tudo que tiver que sorrir. Chore tudo que tiver que chorar. Sim, chore! Chore o quanto quiser! Como já disse Vinícius de Moraes, "É melhor viver do que ser feliz". Somente a vida de um tolo é feita só de sorrisos. Brinque tudo que tiver que ser brincado. Viva tudo que tiver que ser vivido. E acima de tudo, ame tudo que deve ser amado. Só assim não nos arrependeremos com o filme que passará diante de nossos olhos.

"A vida é uma sombra que passa. Uma história cheia de som e de fúria, contada por um louco, significando... nada"

Agora só um pedido: Se um dia você conseguir a coragem de fazer tudo, sem medo do amanhã, me ensine a receita? Estou tentando. Mas não vou me apressar. A vida ensina a cada dia uma nova lição.


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sábado, 25 de julho de 2009

Quando o tempo não é barreira

Será que 85 anos são capazes de afastar o amor verdadeiro? Você seria capaz de esperar 85 anos para reencontrar sua namorada? Você acredita em destino?


Salvador Dali - A Persistência da Memória


O tempo normalmente é uma das barreiras mais intransponíveis que enfrentamos. Quando não dá tempo, não deu. Não há como enfrentar o tempo. O tempo limita, o tempo corta, o tempo mata. Mas eis duas pessoas que podem afirmar: o tempo não venceu.

Roland McKitrick, 93 anos, e Lorraine Beatty, 92 anos, eram namorados na infância. O tempo os separou. 85 anos depois eles se reencontraram. Em 1921, eram namoradinhos na escola. Agora estão prestes a se casar. (Leiam a reportagem completa no G1)

É diante de casos como este que minha crença numa coisinha chamada DESTINO é reafirmada. Os dois se reencontraram por meio de seus respectivos irmãos, que moram no mesmo estado e tornaram-se amigos. Agora pensem comigo qual é a chance disso ocorrer? A chance dos dois terem irmãos, desses irmãos morarem no mesmo estado (lembrem-se que há 50 estados nos Estados Unidos), desses irmãos tornarem-se amigos, e por meio deles eles se reencontrarem? Poucas, concordam?

O que mais explica isso? Nada. Destino. Como ja dizem: "Se é para ser, será". E é a mais pura verdade. Senão como essas duas pessoas se encontrariam no meio de tanta gente?

E disso podemos tirar uma lição importantíssima, a meu ver: Paciência. Vejam quanto tempo Roland teve que esperar para finalmente se ver junto de seu amor, Lorraine. E vejam quantas pessoas que por coisas banais, como um atraso de 20 minutos, terminam com seus namorados. O que são 20 minutos perto de 85 anos? Nada. E talvez desse exemplo podemos tirar a lição mais valiosa: Amor que é amor resiste ao tempo.

Não são 20 minutos nem 85 anos que vão separar o assim chamado "verdadeiro amor". Por que essa procura tão cega pelo grande amor se, como já diz a musica, "o amor pode estar do seu lado"? Roland e Lorraine se encontraram na infância! Quem, em sã consciência, seria capaz de prever que um dia aquele casal de namoradinhos se casaria?

Por meio desses casos, a vida fala. Cabe a nós ouvir.

PS: E tomem cuidado. Aquele namorado(a) que você chutou por causa de 20 minutos pode ser o amor da sua vida.


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sexta-feira, 24 de julho de 2009

Até onde vai a cara-de-pau alheia

O que você faria se, na porta de um shopping, uma mulher virasse para uma amiga e dissesse "Então, eu e aquele homi casado, a gente fomos para um motel."? Confira aqui a minha reação e uma reflexão sobre "Até onde vai a cara-de-pau alheia.



Primeiramente olá, caros leitores, e obrigado por estarem lendo o meu blog 'Life inside a zoo' (para aqueles que não são tão bons em inglês, significa Vida dentro de um zoológico). Enfim, tudo. Divirtam-se e comentem! Agora vamos ao primeiro post.


Público - adj. / Relativo ao governo de um país: negócios públicos. / Manifesto, conhecido por todos: rumor público. / A que todas as pessoas podem comparecer: reunião pública.

Privado - adj. Particular, que não é função pública: empresa privada. / Que é reservado para certas pessoas: sessão privada. / Que diz respeito particularmente ao indivíduo, à sua intimidade familiar: vida privada./ Que sofre alguma privação: privado de liberdade. /  S.m. Favorito; confidente.

Creio que algumas pessoas deveriam ler essas definições. Creio mesmo. Talvez assim alguns de nós, sofredores cotidianos, seríamos poupados de ouvir certas barbaridades enquanto estamos, por exemplo, esperando uma amiga em um shopping.

Vocês devem estar se perguntando o motivo dessas definições. "Esse não é um blog-dicionário, é?". Não. Não é. Vou explicar.

Terça-feira passada, antes do meu ensaio de teatro, estava esperando minha melhor amiga em uma das entradas do assim chamado 'shopping' da minha cidade. Na verdade não passa de uma dúzia de lojas, um cinema e dois restaurantes. Do meu lado, duas moças conversavam. Então, em voz alta, uma pronuncia: "Então, eu e aquele homi casado, a gente fomos para um motel.".
Não bastasse o bárbaro ataque à Gramática, a dita moça foi capaz de dizer em voz alta a traição ocorrida. Parei para me perguntar: Até onde vai a cara-de-pau alheia?

Traições ocorrem. Que seja. Não estou aqui para discutir os motivos de uma traição, muito menos criticar a moça por ter participado de uma. Venho aqui questionar como uma mulher normal é capaz de dizer isso em voz alta.
 
Que ela participasse de uma traição bem, mas dizer isso em voz alta em pleno shopping? Cercada de pessoas que a olharam com espanto, a moça, ainda não satisfeita, disse "E amiga, como foi bom!". Não pude me controlar. A olhei com cara de reprovação. E a mulher ainda teve coragem de virar para mim e falar "Que foi?". Que foi? Ela estava gritando que fora com um homem casado para um motel e ainda tem coragem de perguntar o que eu estava olhando? Meu Deus!
Para não encarnar minha falecida vózinha e mandar a mulher comprar Oléo de Peroba, respirei fundo e sai andando.

Agora me pergunto: Onde está a vergonha dessa mulher? Ela não estava contando para a amiga que o filho havia dado os primeiros passos, ou que tinha se queimado passando roupa, e sim que um homem estava traindo sua esposa com ela! Em pleno shopping! Eu poderia ter dormido sem ouvir isso!

Entenderam o motivo das definições de 'Público' e 'Privado'? Será que a mulher julgou que era de interesse público o fato dela estar saindo com um homem casado?
Idéia para novo programa do governo: Oléo de Peroba para todos


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